12 de mar de 2011

PERFIL DO EMPREGO DE AGORA EM DIANTE


Grandes mentes devem estar prontas não só para agarrar as oportunidades, mas para fazê-las surgir.
Colton

Expomos a seguir um panorama das transformações ocorridas no mercado de trabalho em consequência do processo de globalização da economia.

Globalização
Vivemos um período de enormes transformações por megatendências, cujos reflexos na administração das empresas serão profundos e marcantes. O mundo tornou-se um enorme ambiente, um mercado único, um centro de compras global. É o processo conhecido como globalização. Estamos passando de uma economia internacional para uma economia mundial. Os países estão deixando de atuar simplesmente em termos de mercados internos para se projetarem em negócios internacionais. À concorrência no mercado nacional está sendo agregada a concorrência no mercado mundial. A concorrência se torna cada vez mais aguda, e à medida que aumentam os mercados e os negócios, crescem também os riscos na atividade empresarial. Mais do que nunca, o produto ou serviço que demonstra ser superior, ou seja, mais avançado, mais seguro ou mais desejável, será o mais procurado. O resultado será um novo sentido de urgência para criar e desenvolver tais produtos e serviços.

Hoje, não é o maior que irá vencer o menor. É o mais ágil que vencerá o mais lento.

Isto exigirá maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento, aperfeiçoamento das tecnologias e maiores esforços de marketing e vendas por parte das empresas. Esta transformação fatalmente irá derrubar velhos métodos de trabalho, revelando um fato evidente: tanto as empresas, como os profissionais terão de ser mais ágeis do que antes e deverão estar preparados para mudar de rumo, de acordo com as circunstâncias e contingências ambientais.
Essas mudanças refletem a chegada ao Brasil de um fenômeno que atingiu a economia mundial há mais de uma década. É uma revolução industrial tão ou mais importante do que a provocada pela máquina a vapor, na Europa do século XVIII, e a que acompanhou o modelo americano de produção em série, no início do século XX.
As revoluções industriais anteriores caracterizaram-se pela expansão da economia num quadro de crescimento acelerado da oferta de emprego. Acontece diferente na revolução atual, que tem sua origem na competição industrial, na guerra de mercado entre os países e na internacionalização cada vez maior da economia.

Observa-se agora um ciclo de expansão econômica seguida da redução da oferta de empregos na indústria. De repente, as empresas passaram a fazer parte de um mundo cujas fronteiras desabaram. Neste mundo transnacional, de economia globalizada, intensificou-se a competição.

Os empresários, acostumados a um ninho mais macio, rangeram os dentes. Mas tiveram de entrar na corrida para não desaparecer.
Diante destas drásticas mudanças, os profissionais vêm enfrentando cenários desafiadores. Estamos diante de um mundo cada vez mais exigente e competitivo.

O mercado de trabalho passa por uma revolução. Diante destas transformações, surgem novas oportunidades de trabalho e emprego. Mudanças sempre trazem oportunidades, mas só quem está preparado as enxerga. Com a prática das técnicas apresentadas na primeira parte neste trabalho, você passará a enxergar as oportunidades que antes passavam desapercebidas perante seus olhos.

Nada é permanente...
Exceto as mudanças.
Heráclito (500 a.C.)

Novo conceito de emprego
“O jovem terminava sua faculdade, conseguia emprego em alguma empresa. Ajeitava-se na escrivaninha e esperava pela promoção por tempo de serviço. Seu trabalho não era tão complicado, porque pensar era tarefa do chefe. Não havia risco, porque as decisões fundamentais vinham do patrão e toda a equipe apenas obedecia. As exigências eram poucas. Esperava-se do funcionário que se vestisse adequadamente, fosse assíduo, pontual e cordato. Se ele falasse inglês, era ilustre erudito...” Este conceito de emprego, como estávamos acostumados a conceber até hoje, está desaparecendo. Agora, exige-se mais do funcionário e a retribuição também é maior para os competentes.

Em certas áreas industriais brasileiras vive-se uma fase em que tarefas antes feitas por braços humanos são executadas por robôs. Em muitas empresas, substituem-se operários antigos, treinados para tarefas repetitivas em máquinas rudimentares, por gente com nível de escolaridade maior para operar equipamentos mais avançados e complexos. É uma constatação clara a mudança ocorrida no trabalho neste século. Galpões lotados de empregados fazendo trabalho manual foram substituídos por linhas de produção automáticas, até em fábricas de bolachas do interior. Nos escritórios e nos bancos, aquele pessoal que ficava o expediente inteiro empilhando, colando, arquivando e despachando, com três assinaturas em cada folha de papel, está há muito tempo aposentada. A eletrônica acabou com tudo isso. O mundo do velho emprego está acabando. Pode ser difícil encarar o fato, mas o emprego que impregnou a experiência dos pais e avós desta geração, isso tende ao desaparecimento.

Nos últimos anos, as empresas mudaram tão radicalmente que os especialistas em administração se referem a esse período como anos revolucionários.
Tudo o que se refere ao emprego mudou na mesma intensidade revolucionária. A assiduidade, a pontualidade e o tempo de serviço já não são qualidades sagradas na empresa de hoje. A obediência canina virou defeito e falar inglês tornou-se um item fundamental. Sem ele, dificilmente alguém alcança uma boa posição. As empresas se reciclaram em busca de produtividade e estão produzindo mais com menos empregados.
Desde o início da produção em massa, nas primeiras décadas do século XX, nunca se fez uma revisão tão grande sobre a maneira como a sociedade produz. Começa-se a entrar agora num sistema marcado pela competição acirrada e pelo aumento da produtividade. Novas e diferentes vagas - que exigem a qualificação tecnológica acima de tudo - estão surgindo. Para habilitar-se a elas, a reciclagem de conhecimentos e diversidade de aptidões entraram na ordem do dia.
A modernização é o motor das transformações no campo do trabalho. Um bom ponto de partida para entender como ela está afetando a nossa vida é ter em mente o conjunto de fatores que estão na sua base: competitividade, serviços, tecnologia e globalização.
A globalização tem levado os mercados a ficarem cada vez mais próximos. Nesse processo, perdem-se empregos de um lado, devido a concorrência, e ganham-se do outro.
As empresas de modo geral estão revendo de cabeça para baixo os postos que colocam à disposição. Algumas vagas eram inimagináveis tempos atrás. Os postos recentes deixam clara a abertura do leque de opções para o trabalhador brasileiro e estimulam a criatividade dos profissionais. Os custos fixos das grandes companhias e a velocidade das inovações tecnológicas levaram a uma revisão do modelo. Nas empresas modernas, multiplica-se a idéia de que é melhor encomendar serviços do que contratar gerentes. Nas atividades não essenciais (atividades-meios), a ordem é terceirizar, contratando desde pequenas firmas que cuidam da limpeza das fábricas até serviços terceirizados de altos técnicos.
Na área tecnológica as oportunidades estão se multiplicando em cascata. A chegada da rede de comunicação Internet impôs uma outra realidade para uma vasta gama de atividades. Já há diversos profissionais oferecendo seus serviços via Internet e cobrando por isso. Robótica é outro filão da automação que avança. Aos poucos, a idéia habitual do que é um técnico - basicamente aquele sujeito que vai em casa consertar um televisor ou geladeira - foi ficando ultrapassada. O suporte técnico é uma das armas do futuro em todas as áreas e muito valorizado hoje. Dominando áreas de conhecimento bem maiores e mais sofisticadas, esses técnicos conseguem oportunidades variadas – desde o controle de tráfego aéreo à operação de equipamentos médicos como ultra-som e os aparelhos de ressonância magnética.
A contrapartida do fenômeno é a quase extinção de algumas atividades. A dos bancários é a mais significativa.
Com a globalização, postos de trabalhos vão sendo enxugados pela modernização das indústrias, de olho na competitividade internacional.

Perfil do profissional na nova era
As exigências que os administradores fazem para contratar funcionários em postos de qualidade dão uma idéia dos desafios para cada candidato. Sem o 1º grau completo será difícil arrumar emprego até para construção civil. Para funções de comando, raramente se qualifica quem não tem formação universitária. O funcionário que não fala inglês dificilmente sobe de posto. Se fosse só isso, estaria fácil. Algumas empresas, além do diploma e língua, desejam que os candidatos a um cargo no topo tenham vivido no exterior. Existem outros requisitos fundamentais, tais como conhecer informática. Num futuro muito próximo, ignorantes em informática não conseguirão trabalho nem no caixa do supermercado.
Essas coisas podem ser aprendidas na escola. Outras habilidades não podem. Elas estão num terreno, por assim dizer, imaterial. As empresas querem empregados flexíveis. Outra exigência atual é rotulada pelos consultores empresariais de “curiosidade”. A curiosidade pode ser definida como a disposição do profissional de absorver conhecimentos de qualquer experiência. As empresas veem na curiosidade um uso prático. Cada vez mais , o papel do ser humano no mundo do trabalho é produzir novas idéias. O futuro, de acordo com os especialistas, não é das pessoas que apertam parafusos, mas de quem imagina um novo processo pelo qual os parafusos serão apertados.
Um dos maiores erros em que pode cair um jovem candidato ao mercado de trabalho é imaginar que sua vida profissional está desligada de todos os desafios de competitividade que cercam a economia brasileira em seu conjunto.

As empresas querem gente que:
- se arrisque,
- saiba trabalhar em equipe,
- questione ordens,
- apresente ideias,
- administre o seu tempo de trabalho e
- estude continuamente.

A competição é diária, contínua e só termina na aposentadoria. “Só haverá dois tipos de administrador - os rápidos e os mortos” afirma Tom Peters, um guru da administração. No quadro abaixo podemos visualizar um comparativo do perfil do profissional exigido pelas empresas em diferentes épocas. Podemos traçar um paralelo do antigo perfil esperado pelos empregadores e o que a empresa com visão globalizada almeja.

Antes da década de 70
· A experiência é a ferramenta usada no comando.
· É acomodado.
· É dependente.
· É resistente à mudança.
· É carreirista.
· Seu salário é determinado pela empresa.
· Seu conhecimento é fruto da experiência profissional.

Entre as décadas de 70 e 90
· O grau de escolaridade é sua ferramenta de comando.
· É confiante.
· Procura ser criativo
· Ajusta-se às mudanças.
· É muito competitivo.
· Seu salário é negociado com a empresa.
· Seu conhecimento é baseado na teoria acadêmica.

Entre 1990 e 2010
· Sua performance é sua ferramenta de comando.
· É curioso.
· É independente.
· Gera mudanças.
· É cooperador.
· Seu salário é conquistado pela importância do seu trabalho.
· Seu conhecimento é fruto da aplicação prática da teoria.

De hoje em diante
· As realizações de sua equipe são a ferramenta de seu sucesso.
· É estudioso.
· Tem visão global das coisas.
· Lidera mudanças.
· É facilitador.
· Seu salário é conquistado pelo resultado de seu trabalho e de sua equipe.
· Seu conhecimento é fruto do aprendizado contínuo.

Os 10 atributos do novo profissional
Segundo um levantamento publicado pelo GAPE, empresa de consultoria em Recursos Humanos, os dez atributos requeridos para os profissionais de alto nível mais citados pelas empresas foram:
1) Integridade;
2) habilidade para trabalhar em equipe;
3) obstinação pelo autodesenvolvimento;
4) polivalência, mas com ênfase em uma especialização;
5) flexibilidade para mudanças;
6) capacidade analítica;
7) espírito empreendedor;
8) autoconfiança;
9) visão global da empresa, não apenas de um setor e
10) ambição por resultados.
O domínio de pelo menos uma língua estrangeira e bons conhecimentos de informática são consideradas aptidões implícitas aos que ocupam ou pretendem ocupar cargos de comando.

ATIVIDADES EM ALTA
Muitas ocupações deixaram de existir nesta década, ao mesmo tempo em que, com a mudança no ambiente, abre-se um enorme leque de oportunidades profissionais. Mais importante do que discutir o passado é compreender que as transformações conjunturais e estruturais em curso, sinalizam para uma retomada da atividade econômica. No mercado nacional, surgem notícias promissoras. A transformação é de ordem estrutural. Trata-se do crescimento do setor de serviços, que se vem constituindo no principal sustentáculo dos postos de trabalho no País, refreando a extinção de empregos na indústria, que vem sendo acelerada pelo contínuo processo de renovação tecnológica.

Serviços
O potencial de crescimento desse setor é praticamente ilimitado, especialmente em setores como os de turismo, informática e saúde.

Informática
Na Internet muitos profissionais começam a oferecer serviços e a ganhar bem por isso. Nas empresas, a automação é a área que mais cresce. No Brasil, há uma procura muito grande das empresas por profissionais qualificados, que conheçam bem a Internet.
A maior parte dos jovens que deixam de estudar acredita que se tornará apta a encontrar um bom emprego apenas fazendo um curso de computação como os que se multiplicam no país. Isso não é verdade. A área de informática e a de telefonia são as mais promissoras, mas o que se pede não são pessoas que saibam apenas manusear um programa de texto para escrever boletins no computador. São administradores das redes de informática instaladas nas empresas, analistas de sistemas capazes de criar ou mudar programação dos computadores, ou analistas de suporte, que ajudam a manter as redes funcionando. São também web designers (profissionais que criam as páginas na Internet), ou engenheiros de sistemas e produtos ligados às novas redes de telefonia celular. Para estes profissionais há um mercado em expansão e perspectivas de bons salários.


Comércio Exterior
A abertura da economia aliada à globalização dos mercados coloca na linha de frente as funções nessa área.


Marketing
O binômio concorrência e consumidor exigente aumenta a busca por profissionais que identificam melhor o mercado.


Turismo
A indústria mundial do turismo movimenta perto de US$ 3,5 trilhões por ano. Em todo o mundo, o turismo já emprega 260 milhões de pessoas, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ou 1 emprego a cada 11, a caminho de 1 x 9. Trata-se da indústria que mais fatura no mundo. No Brasil novas agências estão surgindo e abrindo postos, com o incremento do turismo. No Nordeste brasileiro, vocacionado para o turismo internacional, o turismo beneficia 52 tipos de negócio de uma economia municipal, incrementando igualmente as redes do chamado emprego indireto.

Idiomas
Aumenta a procura por professores de idiomas, já que falar mais de uma língua é um diferencial numa colocação.

Qualidade e Meio ambiente
A crescente preocupação com a sustentabilidade ambiental, a conscientização dos consumidores que passaram a exigir produtos ecologicamente corretos, têm exigido de empresas a contratação de profissionais de diversas áreas do conhecimento para dar suporte a área de qualidade e meio ambiente.

OS MITOS RELACIONADOS COM A EMPREGABILIDADE.
Com relação as profissões e emprego, há ainda muitos mitos que devem ser quebrados. Hoje, a realidade é outra, completamente diferente de décadas passadas. Muitos conceitos arraigados relacionados com emprego devem ser abolidos. Conheça o verdadeiro aspecto do emprego de hoje para que você obtenha melhores oportunidades neste novo mercado.


O mito das ocupações em ascensão:
Optar por profissões em ascensão garante um emprego imediato bem remunerado.
A verdade: O simples fato de fazer parte da lista das ocupações em ascensão não é garantia imediata de emprego para os profissionais nela incluídos. Hoje não é tanto a profissão que está gerando a diferença de qualidade, mas o profissional. Ele pode até estar numa área promissora, mas se não dominar algumas qualidades e ferramentas essenciais, dificilmente vai se manter no mercado de trabalho.

Mito da informática:
Um dos grandes mitos do momento diz que lidar com computadores será cada vez mais difícil e complicado, exigindo conhecimento muito especializado.
A verdade: A evolução da informática trabalha no sentido de tornar os equipamentos mais amigáveis ao homem comum, ou seja, é a informática se adaptando ao homem, e não o contrário. O computador foi criado para facilitar a nossa vida. Portanto, não se apavore se você não domina informática. Substitua a sua crença de que informática, computador, é coisa complicada. Acredite que é fácil. E assim será. Para começar, aprenda noções básicas de Windows, Word, Excel (que são os programas largamente utilizados nas empresas) e algum programa específico (aplicativo) de sua área de atuação. Hoje, o profissional de qualquer área, independente do seu nível, deve estar preparado para lidar com o computador.


MAIS MITOS...
· Quem está empregado está seguro.
· Com um diploma eu tenho emprego garantido.
· Quem tem diploma já sabe tudo. Não precisa aprender mais.

A VERDADE:
- Hoje só está seguro quem é empregável.
- O diploma é necessário, mas não garante mais o emprego.
- O diploma só prova que a pessoa aprendeu a aprender. É preciso continuar aprendendo sempre.

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